sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Madrugando


O silêncio e eu...
nas vidraças ainda embaçadas,
percebo o breu que se instala na madrugada.
Somos sós, ela a me olhar
com seus olhos negros
e eu a fingir clarão em meus olhos
qual lembranças em flash.
Fixo-me pela esperança
a me agasalhar através
do que seu silêncio me diz...
São ecos da natureza
aos meus surdos pensamentos,
Somente fixo-me madrugando
nesse horizonte escuro,
onde percebo estar só!

Palavras Somente


De tanto falar-te
perdi a voz, a vez.
Nem consigo contar
o quanto minha voz
presente se fez...
Falei-te dos meus ais,
dos meus medos,
contei-te segredos,
abri minh'alma sofrida.
Falei-te do amor,
do querer sem fim.
Falei-te com palavras,
com olhares, com gestos
de corpo e de alma,
mas pareceu-me
vã a tentativa de ganhar-te
o coração.
Tudo agora é sentimento,
num envólucro de silêncio
que prefiro não mais dizer-te.

Palavras no Silêncio


Busco em meu silêncio um alento,
do teu silêncio meu sofrimento.
Palavras ao vento esvaiem-se.

No silêncio tudo falará mais alto,
solidão, saudade, esperança e a mágoa
me serão surdas companheiras.

Em vão semeei sentimentos...

Meus gestos no silêncio desprezados.

Um Antídoto Para Meus versos


Veneno que percorre a veia do poeta,
fazendo sangrar em versos intensos.
Cegando seus sentimentos,
provocando dores em entrelinhas.
Gotejando lagrimas em seu lirismo,
no obscuro silêncio de seus poemas.
Roga ao deus dos poetas um alento,
um antídoto a verter versos de alegria,
pondo fim de seu tormento.
Que seja feliz em sua poesia.

Abandono


Na liberdade dessa manhã,
me entrego ao abandono.
Deixei-me assim por você!

Minha esperança palpita,
o sol lá fora nem brilha,
o tempo é algoz de nós.

Abandonando-me em você

Nas lembranças do que fomos.

Pequena Janela



Através de uma pequena janela
te vejo passear por jardins
colhendo flores, regando sorrisos.

Quantas vezes para ti acenei
com lenços coloridos te chamei
você passou e fingiu não ver .

Dos olhos correu uma lágrima esquecida.

No coração, sofre um amor de saudade.

Lençóis


Testemunha de um grande amor,
cobriu a nudez que transcendeu o leito
e em sua brancura tatuamos o prazer.

Sob ele misturávamos os sabores
em momentos de pleno êxtase
segregava de nós o mundo.


Hoje se faz de saudades

amassado está aos pés da cama.

Retalhos De Nós


.... Assim os pedaços
se encaixam sem arremates,
de cores mil, nuances e degradês.
De cores frias que se deparam
com as quentes dos lisos ou estampados.
Soltam fiapos, mesmo de formas assimétricas,
se encaixam perfeitamente.
Um artesão, encontra sempre
um lugar exato para cada retalho
e essa percepção lhe rende bom artesanato.
Na arte de amar, somos pedaços, somos retalhos.
Ninguém nasce completo ou perfeito
somos diferentes de tudo e de todos.
O amor é age como o artesão,
o destino é o seu instrumento.
Ele usa para unir nossos pedaços
e nos alinhava com o tempo.
Não há que se desprezar a linha do tempo,
pois ela pode se desgastar e desunir os retalhos.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Nesta Estrada


Nesta estrada muitos passos foram dados
deixamos muitas pegadas,
sentimentos, como pistas, marcaram nosso andar.


No caminho houveram paradas,
fizemos histórias que não serão esquecidas
plantamos sementes de amor.


A estrada continua no horizonte da visão.


O alvorecer se fará arrebol sobre nós.

Solange Bretas


"Não tenho um caminho novo. O que eu tenho é um jeito novo de caminhar. ..."

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Vento Impetuoso


De mãos estendidas ao vento
a essência evaporou levando as linhas.
Transcendeu, perpassou céus e mares.

Levando minha essência mostrou-a as rosas,
"As rosas não falam, simplesmente as rosas exalam...",
Mas tu, que és impetuoso vento, vais...

Espalhando o que de mim roubastes.

Escrevendo nas entrelinhas de minhas mãos.
Solange Bretas




_"As rosas não falam, simplesmente as rosas exalam..." (Cartola)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Ontem


Ontem, vivido com toda magnitude
Ocasiões que tínhamos que viver
Cada segundo foi crucial cogente
Aos sentidos subentendido sorrisos

O ontem repleto de emoções
Na chegada suspiros fervorosos
Intenções havia e foram entendidas
Bastou o momento houve ação

Ontem com olhos de esperança
Desejos foram plenos intensos
Nossos corpos foram alvo
Atingidos pelo ardor da paixão

Ontem igualmente de imprevistos
Medos que não se continham
Turvando o a visão do querer
Mas em fim o amor sempre vence.

Nosso Ninho


No seu coração fiz meu ninho
me aconcheguei adormeci
cada sonho neste ninho
faz meu amor acender

Até sei porquê isto está a acontecer
em Setembro Ype amarelo floresce
cai as folhas evidencia-se os gallhinhos
secos entre flores os gravetinhos

Não são meros sonhos sonhados
Nada é mais real que cada um deles
Te sinto forte, quente, perto latente
Cada abraço nesse ninho me faz tremer

Ninhos moldados leito do amor
sob minhas asas muito calor
bate frágil coraçãozinho
duras penas no pé as argolas

O que emana de nós, não pode ser sonhado
É palpável, trás desejos ardentes por amar
Nosso ninho, nosso cio exala perfume de flor
Não de palhas, ele é feito de abraços e carinhos

Isto agora nem precisava para eu falar
sei até onde o sonho poderia alcançar
redundância nosso ninho, perfuma a flor
na palha carícias esquenta o nosso amor

Quero nesse ninho a ti me aprisionar
Dele nunca mais sair é o meu querer
Pra minha sede terei seus doces beijos
Meu alimento será teu corpo tua essência

Nem vai precisar nisso pensar
do teu amor já estou cativo
dos meus beijos poderá se saciar
fazendo-me da vida o motivo

É nesse ninho que quero morrer
Se dele um dia me tirarem você
Seremos Anjos no mesmo jardim
Estrelas brilhantes no infinito céu.

Neste ninho não é hora de em passagem falar.
Como agora dissestes . Anjos não morrem
Pelos céus viajar.Árvores folhagens paragem
e sob o mesmo céu e estrelas iremos nos abrigar.

Solange Bretas com a participação do poeta Rs T..

Desejo Outra Vez


Tira-me o sono
Faz-me mergulhar num mundo de lembranças.
Seus doces beijos, carícias suaves
Ouço seu sussurrar em meu ouvido.. ”Te quero!”
Arrepia a alma meus e olhos marejados te procuram.
Minhas mãos te buscam por entre os lençóis.
Seus mimos... Sinto-te neles presente.
Sonho acordada...
Enroscada em seu pescoço, sentindo seu cheiro
Abro um sorriso, lembro seu rostinho de menino
Como na primeira vez, sempre com você, assim se faz
Espumas... Flor de Lótus e Ervas sensação relaxante
Suspiros... Suspiros extasiantes de desejo
Suas mãos acolhem o meu corpo direcionando-me ao seu
Faz com que as estrela sejam tocadas e a lua se torna pequena
Sinto a fragrância como se estivesse ainda nos seus braços.
Viajei em seu mundo, mergulhei em ti quase profundo
O destino é mesmo de linhas e todas tortas...
E a vida tem um doce ardor e o frescor de menta...
O desejo arde e com ele a agonia de não te ter...
O sono vem, mas é certo que ao despertar te deseje outra vez...
Solange Bretas

Nos Raios Do Luar


Encantei-me com tua poesia
Mergulhei em sonhos
Vesti-me de fantasia
Em melodias poéticas
Banha-se meu entardecer
Antes ao longo do dia
Alimentava-me de suas líricas letras
De suas mãos deitam-se as palavras
Em branco papel como lençol
Grafites delineando formas e curvas
Ondulantes sonoras saem de seu coração
Rabiscos escritos que chamam minha atenção
Prende meu olhar, verdes de esperança
Penetra atinge coração feito flecha
Assim como raio de luar
Ilumina a noite teu poetar enamora-me
Encantos docemente sorvidos
Ao te ler, posso até tocar-te
Embriaga a alma, faz suspiros brotar
Sou suscetível, ao amar que propõe seu versejar
Louca serei eu de negar,
Em suas linhas é onde gosto de ficar
Se for pouco meu conhecer, esse pouco me basta
Se em tuas linhas eu puder me encontrar
Nunca me engano ao clarão do luar que inebria
Reflexo de sua poesia me faz em loba transformar
Escrever como a ti gostaria,
Se eu pedisse você me ensinaria?
Seria eu sua lua e meus raios seu iluminar
Criador e criatura a inspirar
Superar seu versejar só se for pra em ti brilhar
Fora de ti saberei eu grafar?
Sou criança adoro de poeta brincar
Ensina-me que eu te ensinarei
A criatividade assim usar
Meu tempo menina passará
Mas será mais doce com seu belo rabiscar
Nem tudo aqui poesia, ler as entrelinhas terá
Na realidade me faço menina luar
Lanço meus raios em seu rabiscar
Quem sabe assim ganho de ti inspirar
Terei sonhos e fantasias realizadas, será?
Desculpe a falta de jeito,
Mas não houve outro meio de me declarar
Você meu Anjo poeta, minha alma te guardará
Adoro e amo seu Rabiscar.
Solange Bretas

Matar a Saudade



Do que é feita a saudade?
A que sabor se comparará
O seu paladar insosso?
Ou será como água de poço,
Quanto mais se mata ela há de brotar.
Pode ser que dela a cura há de surgir,
Quem sabe se o amor não partir.
Dos beijos existirem aos milhares,
Dos abraços minh’alma não escape
Ou quem sabe do meu coração
O amor se aposse e venha morar?
Cativo lar irá tornar
Será da lembrança a saudade nutrida,
Se ligados coração e mente
Jamais esquecido o amor será.
Quisera não precisar da saudade,
Preferiria tê-lo constante
Ainda que na mente vivo e latente
No coração será sempre pulsante.
Esse amor, que escorre pela veia
Como ar em meus pulmões
Então será saudade certeza
De que mesmo invisível aos olhos
Habita em meu íntimo meu amor
De esperança se trata os suspiros sentidos
Ameniza a saudade que maltrata
Espero no portão, vestida de festa
O amor a chegar com flores e brilho no olhar.
Beijos doces a presentear, abraços apertados a enlaçar
Em nosso ninho a saudade matar.
Solange Bretas

Locomotiva



Sua curta estrada sem intento
Sobre trilhos largos dormentes
Vaga o vagão passagem passageira
Ferro retorcido pó ferrugem.
Perece parece sem dono
Maria-Fumaça, não pita
Sem fogo nem cinzas
Que caminho iluminava olhos no breu.
Encruzilhado destino desalinho derradeiro
Descarrilou não serve mais
Ao desuso confinada estais.
Saqueados os bens suas virtudes
Vazia esquecida carruagem
Abandonada a mercê das estações.
De abrigo serve aos marginais
Aproveitam-se dos restos ao léu
Sinistro seu interior sombrio
Que de ervas amargas se encobriu
Esconde o que de bom já rendeu
O resto de valor pra sempre partiu.
No carril que se perde de vista
De que vale tê-los ainda
Se nem de pé nos trilhos está
Tempo passa ninguém fica.
Da covardia do tombador que a guiava
Locomotiva acometida de avaria
Tornou-se acomodação obsoleta
Seus vapores se foram Maria.
Nem fuligem suja a chaminé
Foi esquecida perdeu o valor
Descarrilou e sem serventia ficou
Ao prazer do tempo e vento
Seus restos ninguém reclamou.
A fuligem no ar dissipou
Quem saberá maquinista desertor
De abandono serviu sua Maria
Mãos, sujas pelo carvão, lavou
À fornalha, o fogo e lenha, negou
E a densa nuvem de fumaça abafou
Nem apitas Maria sua chegada
Se nem de partida seu agora se faz
Ao menos de abrigo nesse trilho jaz
Só quem sabe é o tempo que de ti se apraz...
Solange Bretas

Tão Distante


Sentir sua tristeza
é algo que me destrói.
Causa me a dor da impotência.
Dentro do peito o coração bate aflito
por tanto querer e não poder.
Talvez, se em minha alma
não existisse a força da esperança,
hoje, eu seria alguém que pereceu
com a tristeza de ter as mãos vazias,
o olhar no horizonte
e, no pensamento, você tão distante.
Pior que viver sem saber o que fazer,
por ter amarrado-me as mãos o destino,
é viver a agonia de não poder te sentir feliz.

Papel Velho


Não sei se deveria continuar a escrever
mais alguma palavra nesse velho pedaço de papel.
Não vejo sentido nas letras que se juntam sem emoção,
nem consigo dar continuidade no que chamam de poesia,
já que o labor foi em vão e o que sobrou foi o azedo sabor,
destas palavras que nem o vento levou...
Perdi as forças do que chamava de versos,
podada pela raíz não há como compor nesse chão,
meus versos são apenas prosas com meus botões que secam ao sol.
Penso que nunca deveria ter dado início a este absurdo,
acho que além se cega eu estava surda e por teimosia
não dei ouvidos a voz da razão que poetizava ao meu coração .
Parece que só tenho grafadas tristezas,
sumo de minha essência lima que pensava ser doce.
Na verdade, nunca soube o que é de verdade escrever!
O que tenho agora é um nó na garganta, uma trava no peito
e um livro rasurado, com um pedaço de papel velho numa página guardado.
Solange Bretas

Em Companhia da Solidão


Ardeu o desejo...
vesti minh'alma de poesia,
peguei meus versos e saí...
Iluminou meu olhar ao lembrar,
brilhou meu sorrir em te encontrar.
Mas veio a razão,
justamente na contra mão
chamou à conversa o coração
que sentiu a desilusão.
Parei no caminho, pus-me a ouvir...
Senti o frio a invadir a poesia
e minh'alma ficou sem chão.
As lágrimas embaçaram a visão,
guardei meus versos sem graça,
Voltei pra saudade em companhia da solidão.
Solange Bretas

Pétalas ao Chão


Caminhando sobre pétalas
e essências que deixei ao seu caminhar,
percebi que nelas
não haviam mais seus passos
e, que foram deixadas
sem perfumes e secas ao vento.
Ficaram ali ao relento sem alento.
Percebi que seus passos
enveredaram por outros caminhos,
que seus olhos se encantaram
por outro farol.
Então vi o meu fim, na solitária estrada,
o meu horizonte já se apagava,
o sol morria tristonho,
vertendo no mar de amor
gotas de sofrimento.
Guardei as pétalas,
sentei a beira do caminho
enquanto a noite caia
e me vestia com seu luto
agasalhando minha solidão.
Solange Bretas

sábado, 10 de outubro de 2009

Medo


Tive medo...
Ontem quando tudo era breu,
aqui no interior do meu eu,
mas logo veio à luz o segredo.
Uma vez que em degredo,
meu coração estava jurado
e por amar foi condenado.
Tive medo...
Quando me procurei nos olhos do espelho,
não percebi que o tempo passou e em vermelho
ficou meus dias, meus céus, meu chão...
não pude conter as lágrimas desde então.
Tive medo...
Não consegui olhar para trás,
tudo é lembrança, saudade e agora tanto faz...
Fixo-me ao horizonte, quero ver o que o destino me traz.
Estendo meus braços, sei que entre eles ainda há espaço,
pois amor que dediquei agora é sentimento retraço,
meus dedos que um dia empunhou um pincel, hoje, esqueceu o traço.
Tenho medo...
Solange Bretas

Tensa Visão


Não quis abri os olhos...
Fiquei ali por mais algum tempo,
não sei exatamento o quanto,
mas foi suficiente pra saber
que amanheci e, por vezes,
me senti no passado...
Pelo presente sendo condenada
a um futuro que nem sei se virá...

Abri os olhos e não me vi...
Solange Bretas

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Canção Ao Vento


Encontrei-me com o vento,
a ele pedi um alento,
que leve pra longe o sofrimento,
cure o que fere meu peito por dentro.

Seja com brisa ou tempestade.
Não consigo viver nessa saudade
que me sufoca, isso é maldade!
Traga meu amor por piedade!

Minh'alma sobrevive do lembrar,
o coração pulsa sofrido por tanto amar,
Desejo senti-lo outra vez a me tocar,
sem meu amor sou flor a despetalar.

Sopra em mim, do viver, o encanto
Enxuga dos meus olhos o pranto,
Leve ao meu amado o meu canto
E os meus braços voltem a ser seu recanto.
Solange Bretas

Além de Nós


Tudo vai além...
Além do que posso imaginar...
Sua face que resplandece,
quando estamos a sós,
seus olhos tímidos ao desvelo,
suas mãos que acariciam rosas
dona de meus ais...
As palavras são pétalas suaves
lançadas sobre minh'alma.
Quando somos um,
ligados pela essência
de um sentimento que vive,
Vamos além ...
Além do ser, do prazer,
além de eu e você, além de nós.
Vamos além... Somos AMOR.
Solange Bretas

domingo, 4 de outubro de 2009

Resplandecer


Quero um novo amanhecer
Que o sol venha em mim renascer
Na janela refletindo novo viver
E de alegria resplandecer

Quero um sol a brilhar
Nas margens do meu mar
Pra que meu amor possa ancorar
Nos meus braços fazendo-me sonhar

Quero gaivotas a voar,
Com canoras melodias soando pelo ar
Nas ondas do meu olhar, o mar enfeitiçar
Meu corpo em suas águas mergulhar

Quero assim, até o alvorecer
A beira mar esperar o entardecer
Para ver meu sol esmaecer
No horizonte do meu ser
Solange Bretas