terça-feira, 24 de novembro de 2009

Ousadia De Um Anjo




Sou anjo que criou asas.
Vestiu do céu o azul
E do sol sentiu o calor.

Sou anjo de caminhos errantes
Buscando guarida em altares
Recebendo de oferendas milagres

Sou Anjo em liberdade...

...Que ousa ser Mulher.

Poema



Tu és poema!
Tens necessidades de palavras,
Seus versos destemidos
Movem céus e terras.
Tomas posse d’alma,
Essa é a tua razão.
O vento não te leva,
És flecha no coração.

Tu és poema!
De amor, de solidão.
És abstrato sentimento
Loucura em pensamento
És gozo, és tormento.
Ler-te é deleite que extasia.
No corpo o desejo que inspira
És grafia da alma,
És  essência que inebria.

Tu és poema!
Que penetras olho a dentro,
Arrancas do coração
Um querer, um lamento,
É ungüento para as feridas.
Nas entrelinhas tu vertes
Carícias em profusão.
És segredos em desterro
Fora do coração.

Tu és poema!
Que sangra,
Parindo nas entrelinhas
Desejos e prazeres,
Seduzindo estrelas
Minguando luas
Derretendo horizontes.
Fazendo parte de mim
Me chame de poesia.



Solange Bretas

Versos Mudos


 









Abri mão do meu eu poeta.
Ele voou sem olhar pra trás...
Bateu suas líricas asas no infinito.
Seus versos eram sonhos
Suas linhas eram devaneios
Ao ler sentimentos.
A tinta foi borrada,
Rasgaram-se as pautas
Jogadas ao vento
Qual folha caída ao chão.
Secou do verso a fonte
dos líricos oásis,
Que transbordaram em vão.
Despi minh’alma
Espalhei as pétalas
livrei-me dos espinhos.
Nesse vagar poético
agora sem as asas
Permanece a quietude.


Solange Bretas

Leve-me



Me conduza por entre cometas,
leve-me ao céu de estrelas trêmulas.
Sou lua rasgando o véu.

Desenho a noite feito cinzel,
grafitando sentimentos loucos
na sofreguice dos desejos sul.

Leve-me a morrer no mar.

O oceano verterá em nós ondas de prazer.


Solange Bretas

Reflexos





Águas se movem em sintonia
são ondulantes ecos de si mesmas
se lançam e se lançam destemidas.


São reflexos emanando energias
evaporadas pelo afago do sol
aspergidas beijam a face nua.


Goteja  noite a dentro orvalhando desejos.


Amanhece nos braços do mar.


Solange Bretas

Açoites de Solidão


Sofro os açoites da solidão
que o destino cruel
pronunciou ao vento.
O tempo algoz dos meus dias
não deixa meu corpo em descanso
provocando uma eterna agonia.
Sinto uma saudade absurda
que me consome qual vela acesa.
As lembranças não me bastam
por que vivê-las foi mais que vida.
Os açoites arrancam de meus olhos
gritos de misericórdia,
e da voz de minha alma tão sozinha
se desprende um fragil sussurro por teu amor.

Solange Bretas

Extase




Explosão de pleno gozo.
Seus tentáculos obcenos
agaram minha pele nua.

Enquanto suas lavas encandecentes
envolve-me num arder em chamas
sua imagem abstrata penetra minha alma .

Mistura seus odores a minha essência.

No calor de teu fogo me derreto.




*sou apaixonada pela arte abstrata. É algo que me toma quase que em transe...viajo!

sábado, 14 de novembro de 2009

Profecia


Logo nascerá o sol
e tudo será claro demais
para que somente os olhos vejam.
Lá nos confins do horizonte
palavras romperão os ecos do silêncio,
o breu que venda meus olhos
será desvendado.
Um mar levará toda a angústia
que interroga minha alma.
Um dia, teus olhos não encontrarão
minha esperança adormecida.
Ela alçará vôo,
e irá de encontro a luz,
saberás ao cair da tarde
quando minha essência
impregnar seu derredor...
Uma vela será acesa,
uma brisa soprará as pétalas
para longe dos jardins
e a noite tu já terás esquecido.

Porvir



Sentimentos...
Serão sementes desprendidas
pelo caminhar do vento...
Tudo novo se fará
num girar de um cata-vento
ao despetalar dos girassóis
inclinados para a terra
onde fixaram seu pés.
Não mais falarão as flores,
nem cantarão os pássaros
em seus altos ninhos
antes do porvir.
Logo virá a chuva...
Regará os canteiros,
em vão não serão as cores
que tingem o arco íris...
De esperança se cobrirá
os campos pulsando vida
e tudo estará para a colheita
enquanto  existir um sentimento...
Solange Bretas

Espada do Silêncio



O silêncio,
corta raso e fere fundo,
espremendo os versos
contra parede
envolta em negro véu.
Sangra o poema sem piedade
a alma se desprende
em silente agonia,
seu sangue mancha
a poesia, escorre
nas entrelinhas
borrando as mãos
do poeta que,
em fúnebre tom,
declara a morte
de sua a poesia.

Águas Silenciosas












Sem soluços,
molham os passos
apagam pegadas.
Inundam a alma
que, silenciosamente,
transbordam emoções.
Faz sentir um misto
de saudade e tristeza
ao misturar-se ao mar
de lembranças tuas.
Serpenteiam por labirintos
que provaram afagos,
cuja alegria morou
e se fez de partida.
Águas silenciosas
brotam  no peito
onde mora a solidão.
Solange Bretas

Inverno Poético




Abri mão do meu eu poeta.
Ele voou sem olhar pra trás...
Bateu suas líricas asas no infinito.
Seus versos eram espinhos
Suas linhas eram amargas
Ao ler sentimentos.
A tinta foi borrada,
Rasgaram-se as pautas
Jogadas ao vento
Qual folha sem vida.
Secou no deserto a fonte
abandonado oásis,
Que transbordar em vão.
Despi minh’alma
Arranquei as pétalas
firiu-me os espinhos.
Nesse vazio poético
Faz frio, agora sem as asas
Do meu Anjo, eu Poeta.

Pobre Coração


Ah, coração!
Se eu pudesse arrancá-lo do peito
Transformá-lo em vendaval
A mover mares e terras,
Desprendendo folhas secas,
Cobrir meus sonhos e
Meus passos minha visão.

Ah, coração!
Se eu pudesse na vida ser
De meu bem a alegria e ouvi-lo
Assim dizer: “E você me faz feliz.”
Calçaria de pétalas seu caminhar,
Adoçaria seus lábios com meu beijar
Dos meus olhos faria o farol
Pra seus sonhos iluminar.

Ah, coração!
Se eu pudesse ecoar
Desse peito o grito de amar
Sussurraria ao meu amado
Que o fruto semeado,
Perece entre estações e emoções
Pendendo qual gota de orvalho.


Ah, coração!
Se eu pudesse aguentar
Esse nó a sufocar minha voz
Cada vez que ao sentir
Nas rochas que a solidão te lança
Esse amor sem medidas s esvair-se de ti...
A ter cuidado para não se machucar
E nunca desejar viver só de lembranças.

Ah, coração!
Se eu pudesse te ensinar
Talvez te ensinasse a amar
Como em conto de fadas,
E na liberdade amar sem limites
Talvez como um sonho que nunca termina.
Assim te deixaria entre meus braços, guardado
E tu coração, não seria um livro no criado mudo
Esquecido e fechado nas noites de insônia e solidão.
Solange Bretas

Poesia Nua


Cai o véu,
transfigura-se a face!
Longe de mim ser poeta,
deslumbrada pelos versos
sem donos e errantes.
Sou apenas amante
das letras que encantam
esses meus olhos de jadi.
Nada além do verter poético,
que pulsa nesse coração sincero,
nascerá sangrando as grafias em prosa,
o que tornará minha alma pura
e liberta dessas margens nuas,
onde as pautas do passado
formaram frases ditas em amargura.
Cai o véu da face Lua
Novo céu, nova fase
poesia nua!
Solange Bretas

domingo, 8 de novembro de 2009

Espinhos




Meus pensamentos
Não me pertencem mais.
Não fiz nada além
De sentir amor
Trocastes o amor real
Por palavras.
Como cristal partido
Meu coração em pedaços.
Não sei mais o que sentir,
A esperança escorreu
Pela face e o olhar
Tingiu de cinza
O horizonte.
Os pássaros voaram,
As pétalas caíram
Ficaram os espinhos e eu.