segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Sensível Desejo


Sensível Desejo

Quero a leveza da brisa,
que se aventura por entre arvoredos
fazendo bailar as folhas no outono,
que com delicadeza penteia os trigais,
que na primavera, espalha no ar o perfume
da mãe natureza ao desabrochar toda manhã.
Quero o bailar de borboletas,
por entre as flores mimosas
dos jardins mais secretos
e o brilho de suas asas refletindo a luz do sol.
Quero da delicadeza do orvalho,
suas gotículas que se unem
e deslizam suavemente sobre pétalas
enchendo a rosa qual taça
a dar de beber aos beija flores.
Quero a macieis da relva
que conforta qual leito, qual ninho.
Quero a carícia da chuva fina,
que como afago, desce regando a terra.
Quero o encanto da alvorecer,
com sinfonia de pássaros a despertar a vida
e do arrebol, quero a sensualidade
que veste a noite com o deslumbrante brilho das estrelas.
Quero a magia das marés, das grandes ondas
que enfeitiçam olhares e luas.
Quero a pureza de um coração a pulsar
filtrando sentimentos e desejos
que adentram o peito alcançando a alma.
Quero os sentidos a flor da pele,
quero viver sem pressa, quero flutuar...
Quero, sobretudo, a sensibilidade de poder entoar um canto, de me doar num gesto fraterno, de deixar rolar uma lágrima de saudade, de amar sem medidas...
Quando morrer, quero misturar-me ao ar,
que enche pulmões, que sopra cortinas,
que mexe com o mar, que leva as nuvens a formar imagens ilustrando o céu.
Quero deixar minha essência por onde for,
como brisa suave que refresca e acaricia a face dos coqueirais...
Por que os insensíveis não morrem, viram pedras frias!
Solange Bretas

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Vazio


Vazio

Quando pensei estar liberta,
Vi-me cativa de um horizonte
Onde o sol brilha como se eu não existisse
do outro lado da janela.
Quando pensei estar longe,
Encontrei-me presa na lembrança,
Com saudades do que descobri vivendo o risco.
Quando pensei que minhas mãos eram fortes,
Não consegui abri-las para colher meus sonhos
Senti-me vencida pelo medo de viver a sorte.
Quando pensei em trilhar novos caminhos
Caí na sarjeta que cobriu-me de desânimo
entorpecendo meu sentidos, calando-me as palavras.
Quando me joguei num mergulho profundo
A fim de afogar as mágoas do meu coração,
O mar me rejeitou lançando-me sobre as rochas
Do pensamento fazendo-me remoer tristezas.
Quando quis sorrir e assim iluminar meu olhar
Veio a tempestade ignorando-me feito folha seca
Escurecendo meus olhos, negando-me a luz.
Quando tentei dormir para que tudo passasse
Sem que vivesse a desilusão e a amargura,
Fez-me companhia a fria solidão
Que, com seu vazio, assombrou minha alma.
Quando pensei esquecer a história da vida,
Virar a página do destino e romper
Com os desejos do coração,
Veio o desespero por querer pertencer
Mais e mais ao que não posso ter ou ser.
Então, pensei chorar, mas me percebi inútil,
Envolta em sombras de sonhos perdidos,
Sem lágrimas, sem ombro sem chão.
Solange Bretas

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Anúncio de Jornal (Para a ciranda Anúncio de Jornal - Clara Costa)


Anúncio de Jornal

Por motivo de rejeição e desafeto,
comunico que acaba de falecer
em meio a muita tristeza,
o amor que havia no coração.
Será velado com muita saudade
na capela de minha alma,
para o resto da minha vida.
Assim, fica meu coração
como um jardim a ser cultivado.
A quem interessar possa,
abre-se uma vaga para
jardineiro de amor perfeito.
Lembramos que jardim mal cuidado não floresce
e coração de mulher não é brinquedo.
Todos que se sentem qualificados
para excercer com carinho essa missão,
favor entrar em contato com a caixa postal
do lado esquerdo do peito e deixar seus sentimentos
que serão recebidos com carinho.
 
Solange Bretas

Lapidando Versos...(Poetrix)


Lapidando Versos...


...Purifica-se a poesia
que reluz como primícias
Tesouro d'alma.
 
Solange Bretas

Bendito Ventre... (Poetrix)


Bendito Ventre...

... A mãe natureza gera
tão formosa princesa
seu nome, Primavera!
Solange Bretas

Os Segredos... (Poetrix)


Os Segredos...

...Lançados no abismo profundo
iluminados pelo farol das ilusões,
jazem no horizonte do esquecimento.

Solange Bretas




 

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Penso, Logo Enlouqueço


Penso, Logo Enlouqueço

Ouço vozes na avenida do pensar
não consigo entendê-las, sussurram...
Dividem-se entre o preto e o branco,
há luz ,  há escuridão e se misturam.
Ditam frases, emitem opiniões...
Parece que falam de mim, de nós.
Falam do ontem, do amanhã, interroganções...
Há uma disputa de lógica de emoção,
batem o martelo da razão,
julgam entre si, a questão.
Esse vozeirio que enlouquece a mente,
tirando o sono por ações pendentes
que foram deixadas para trás
por questão de pouca memória.
Elas falam, traçam planos,
ditam fórmulas escrevem em agendas.
Eu aqui assistindo a tudo
não sei por onde começar.
Então, penso que talvez seria melhor nem pensar
e deixar tudo como está
ou mergulhar nesse mundo de vozes
e com elas brigar, ter direito a voz
fazendo minha vontade prevalecer.
Mas qual é minha vontade?

Solange Bretas