quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Vaga Canção


Vaga Canção
Na ausência do que sou,
Sobram sombras que duvidam
do que poderei chegar a ser.
Pouco me importa suas crenças,
Suas ideologias ou doutrinas.
São sombras que restam somente...
No presente, sou o que sou.
Desigual a tudo
que tua imaginação consegue compor.
Na ausência do que sou,
Vagam palavras...
Que, ao pronunciar, soam inverdades.
Conhece-te a ti mesmo?
Doce engano...
Não a mim!
Pois na ausência do que sou,
Sobram somente vestígios
Impossíveis de seguir.
Experimente!
Busque na sombra, beba água fresca!
Mas na ausência do que sou
Terás somente a vazia canção
Entoada pela solidão!
 
Solange Bretas

Fica Pra Amanhã


Fica Pra Amanhã

A poesia teima em fugir,
os versos  se negam em rimar .
No ar pairam  nuvens gris
impedindo o sol de iluminar.
Não consigo sonhar,
a realidade me cobra razão.
Então, fica pra amanhã
a poesia, os versos,os sonhos
também o brilho do sol.
Quanto a razão,
vou ficar devendo essa!
 
Solange Bretas

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Minhas Asas


Minhas Asas

Não sei voar!
Minha cabeça doi quando tento...
Meu pensamento é noite
que  de lua mingua
e de estrela é cadente.
Sigo somente sem semente
nem pó de estrada.
Minhas asas  são pétalas
guardadas entre páginas
envelhecidas de um livro qualquer.
Sem viço e sem virtude
não ousam voar nas entrelinhas
rasuradas pelo tempo.
Nem tenho ninho e alento.
Nem  pássaro eu sou,
tão pouco poeta!
Não sei escrever,
mas quando tento,
minhas asas doem...
Solange Bretas

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Epitaphius


Epitaphius

Na boca, o gosta da palavra,
Que ousei pronunciar ao vento para ecoar no infinito.
No chão, os pés doloridos da caminhada,
Que o destino me levou a trilhar.
Na cabeça, as nuvens acariciando sonhos
Que guardo no coração até que se realizem.
Nas mãos, a atitude do afago
Que tantas vezes serviram de alento.
No céu, os olhos a descobrir o horizonte
Que um dia irei tocar com a alma.
Nas asas, o pensamento recriando momentos
Que  foram eternizados pelo meu existir.
No corpo, o elevar dos sentidos
Que  me faz sentir o fogo da vida.
Nos ouvidos, a atenção ao silêncio
Que  tanto me fala de solidão.
Nos olhos, as águas do coração
Que lavam minhas dores e sarem as feridas.
No caminhar, um sentido a mais
Que descubro um dia de cada vez.
Nas pedras, o duro aprendizado
Que em cada tropeço me impulsionam a perseverar.
Na chegada, o sabor da vitória
Que almejo provar e fartar-me.
Na voz, um canto de paz
Que desejo aprender com os pássaros.
Nos cabelos, a brisa mais leve
Que me faz sentir saudades, muitas saudades.
Na fala, uma prece a elevada
Que ecoa no céu de minha boca.
No coração, um sentimento a curar
Que dói cada dia um pouco mais.
Na alma, a verdade do que sou
Que reservo àquele que me criou.
No dar, o tudo de mim
Que não levarei sem deixar  semeado.
No fogo, a prova deixando marcas
Que tatuam minha face.
Na coragem, o risco de pertencer
Que  aceito correr sem escudos.
No medo, a ousadia da descoberta
Que me faz sempre muito mais Eu.
No dia, a luta assumida por ser fêmea
Que o fazer por gosto me excita.
Na noite, o desfrutar da volúpia
Que desperta a loba faminta por lua.
Na vida, o viver sem limites
Que me lança num abismo de ilusões.
Porque com a morte, tudo finda!
 
Solange Bretas

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Estações


Deixando de ser menina,
conta as horas
das estações que passavam...
Primaveras, invernos, verões.
Em seu pensamento o outono,
que sozinha provou de noites febris.
Tendo a lua como farol distante,
muitas vezes se via como minguante
nas  suas fases sombrias .
Com seus botões, não percebia
o que o espelho lhe dizia
e eram tantas mensagens...
Nas mãos, o bilhete do tempo vencia
e o dia passava pela estação,
feito noite de aflição.
Com os olhos da insônia,
só o vento a tocava tirando-lhe o torpor
para ver que o dia anoitecia.

Na menina dos olhos, o sol não via
a insônia lhe fazia companhia.
Solange Bretas