terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Quem Sabe...




Quem Sabe...


Pode ser que o tempo lá fora
transforme o que sou em céu
e que as nuvens mudem de lugar
voando para fora dos meu olhos de chuva.
Nada pude fazer que evitasse o cair da noite,
fui simplesmente o abismo entre sol e lua.
Ainda não desatei os nós dessa sina que é viver
e que me embaraçam aos cegos laços,
turvando a visão do meu saber...
O que tenho são pedestais vazios,
marcados por valores consumidos
nesta chama invisível do esquecimento.
Dele  desceram estrelas apagadas
pelo sopro da ressaca que escorre
dos lábios sombrios do silêncio. 
Permito-me envolver neste reflexo de adágio!
Busco por entre pedras e palavras... Um instrumento!
Quem sabe se do outro lado, o lado que é avesso,
esse que desconheço, seja meu lugar de começo?