terça-feira, 20 de julho de 2010

Breve Outono


Breve Outono

Ela cai...
Se deixa embalar pelo vento.
Porque será?
Talvez esteja triste!
Será que pensa nessa hora?
Parece leve, tudo passa por ela...
Lembranças, estações vidas.
No vento baila, gira, plana.
Pode ser que esteja com medo
ou quem sabe foge da desilusão.
Sua queda não mais pode ser interrompida,
nem seus olhos poderão se abrir,
sua voz, confundida com a brisa soa despercebida.
Ela cai...
Com a beleza que lhe ornou o tempo,
com a silhueta que perpetuou a espécie.
Da forma pura com que se lançou,
tornou bela a sua queda.
Quiçá o chão lhe ampare de peito aberto
e a terra lhe construa um castelo
onde seus restos poderão permanecer em silêncio
e o tempo venha devorar-lhe o viço.
Ela cai...
Sente o farfalhar ao seu redor,
percebe que se aproxima  a hora máxima.
Ela se entrega de alma, despe-se de toda pauta
deixando apenas cicatrizes onde fostes gerada... 
Solange Bretas

2 comentários:

garoto cientista disse...

Lí esta no recanto das letras, belíssima, parabens. Parabens pelo blog, está lindo.

INFETO disse...

Talvez ela esteja somente faznedo o seu papel da melhor forma possivel, totalemnte inofensiva...seguindo o ciclo. Se algum dia morreres, morras de olhos abertos, pois privar o mundo de ver esse abismo de aguas doces pacificada de petalas seria o maior crime que voce poderia cometer. voce é um espetaculo que emana beleza ate pela ponta da caneta. abraços

http://poesiafotocritica.blogspot.com/