segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

NO ENCANTO DA MADRUGADA


 

A Lua radiante no breu
Estrelas brilham no chão
Nossos sonhos a iluminar

Meus dedos te querem tocar
Teus lábios ardentes de sol
Aos meus sedentos por beijar

Madrugada desperta em nós

Um fabuloso desejo ao sonhar.


solange Bretas

Pétalas Secas





A noite fez-se de outono
Vestiu sua obscuridade
Com as pétalas secas
de minha alma sofrida.
O fruto não vingou.
O seio não foi fecundo,
no cálice não se abrigou vida.
O que faltou?
No ar, paira o perfume
do abandono de primavera,
deixei de ser flor,
tornei-me espinhos aos seus pés.
O vento forte sopra na face
varrendo jardins do meu olhar
levando consigo o que pensava ser meu,
as folhas, pétalas e o que se sonhara
vir a ser um doce fruto...
Um galho retorcido,
pisado a beira do caminho
virará pó como minhas pétalas secas
pelo sol que despresou meu florir.


Solange Bretas

PALAVRA E AMOR



Há pouco,
descobri o valor das palavras.
Não importa de onde elas venham,
valem mais que o toque de almas.
Um afago, um beijo e mil abraços
são trocados por frases ilusórias...
Sem face, supondo sentimentos
escritas em entrelinhas frias.
Será esse o sentido da grafia,
criar falsos amores,
com imagens  de castelos
de areia que belos versos constroem?
Sinto o vento frio parecendo a morte
a tomar meu corpo e alma
em concluir que tudo que dei
foi menos que palavras.
O vento me levou,
e você , as palavras amou.


Solange Bretas

GOLES DE DESEJOS



Bebo o dia em goles de desejo profundo
como a cede no deserto causando miragens.
Transbordo as taças ao meio dia
erguendo um brinde ao porvir
que meus olhos anseiam.
Lanço a sorte em passos dúbios,
me arrisco na corda bamba da paixão
buscando o equilíbrio nos braços da tarde.
Neles me deito sossegada a esperar
que ao noitecer o amor venha
venha embriagar-me de vez.


Solange Bretas

TEU OLHAR E O MEU



Sem conter a emoção
ao longe te vi chegar,
meu olhar iluminou-se,
coração ficou a saltar.
No peito quase não coube
sentimento e razão
espelharam nosso olhar.
Era tanta a alegria,
cegou-me de paixão
a saudade que ardia,
foi embora do coração.
Era algo que pressentia,
sua energia estava no ar
quem ama não se engana
coração dispara pra avisar.
Ficamos quase frente a frente
e por pouco não nos falamos
era só meu, o momento,
te ver foi o alento
que minha alma pode provar.
Mas você fingiu não ver
e como fumaça sumiu no ar.


Solange Bretas

FONTE IMPERFEITA



Em pensamentos me derreto.
Fluindo por entre vales
a encontrar verdes pastos
sem responstas, me desaguo.
Banho praias de enigmas
tentando decifrar
o que separa o rio do mar
e o que por fim os fazem misturar.
Penso no amor e na dor!
Quem é rio, quem é mar?
Se o amor por vezes é sal
qual mar a sofrer ressacas
se lança furioso nos rochedos
provando da dor da saudade.
Talvez dor e amor, rio e mar
sejam sentimentos salobres
que brotam em fonte
imperfeita no fundo do coração.



Solange Bretas

O DESTINO DESFAZ



A vida se fazendo presente,
traz surpresas insonháveis...
Tortas  linhas de suas mãos perfumadas,
pingentes no peito um coração,
imagens por amor ofertadas,
sonhos em preto e branco
que um dia realizou,
beijos roubados no portão.
Um olhar apaixonado
que a noite iluminou,
desejando cometer loucuras,
nessa insana paixão.
Um ombro, pedindo carona
a viajar nessa ilusão,
qual surpresa que a vida traz,
que o destino vem e desfaz.



Solange Bretas

OLHOS DE LUAR



Em meu corpo nú,
sinto tua magia
a envolver-me tua.
Exerce teu feitiço
adormece-me
diante de teus olhos.
Senhora de fases
a emanar em mim
tua energia vigorosa,
deixando-me sedutora
atraindo o mar
a lamber meus pés
desejando-me mais e mais.
Penetra em minh'alma
toma-me feito céu
faz-me loba tua
resplandece em mim
teu encanto...
Oh, doce lua!

Solange Bretas

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

DANÇA COMIGO / BAILAR CONTIGO / A DANÇA



 
Tomas-me, nessa contra dança.
Aperta-me ao peito e me lança
Seu olhar a devora-me corpo e alma.

Não resisto, deixo-me conduzir.
Sinto a leveza de suas mão a me guiar
O peito acelera não desejo parar.

Seduz-me faz-me em delírio flutuar

Dança comigo, até a noite acabar.


Solange Bretas 


********************
BAILAR CONTIGO

(Interação do poeta Edson dos Santos)

Tomo teu corpo em minhas mãos
E no balanço de tua sedução
Eu Penetro no calor de tua alma
 
Aqueço teu corpo com mil desejos
Minha boca da tua quer um beijo
Mas nossos corpos querem é bailar
 
E nesse balanço tu flutuas sabendo
 
Que depois dessa dança iremos amar
 
(Edson dos Santos)


 ********************

A DANÇA
 (Interação da poetisa Sol Pereira)

Dou-te a honra dessa dança
Chego mais perto de você
E roço com o meu corpo nas tuas lembranças

Quando ainda éramos crianças
Tínhamos brilhos nos olhares
E ainda não tínhamos trocado as alianças

Rodopiamos, meus braços envoltos em teu pescoço
Desligo-me de tudo e esqueço da amargura
E você me abraçava pela cintura com ternura

E Juntinhos dançamos um blues lento
A música sincronizando nossos passos
Você sentido o tum, tum do meu peito

Nossos corpos quentes em busca dos abraços
Que nós guiaríamos juntos para o nosso leito.

(Sol pereira)

Obrigada, queridos amigos e grandes poetas, pela bela interação! Meu carinho!! Bjus 



 

HAVERÁ UMA LUZ



Ao fim do crepúscular
A noite foi só uma criança
brincando de sonhar

Desejos brotam dos sonhos
Que a alma anseia realizar
Sentir na pele o prazer do tocar

Na boca um gosto de esperança

 Que sempre há de provar.



Solange Bretas

MINHAS PÉROLAS




Não farei como Pandora.
As pérolas que guardarei
não serão feitas de máteria
cujo o tempo destrói.
Meus tesouros são palpáveis
no interior de minh'alma e,
é lá, que eles se encontram
bem guardados.
Não hei de perder meus dias
chorandos mágoas do passado.
Vivo contemplando a felicidade.
Tesouros vivos, pulsando liberdade
é só o que retenho na lembrança.
Nessa caixa onde guardo sentimentos
livre de mágoas e de lamentos,
tem um segredo que dia a dia alimento
Nem de vida nem de morte,
mas de amor eterno, eis aí minha sorte.


Solange Bretas

TODO SEU




Quero dar-te algo
já que não mais me pertence.
Pulsa errante dentro de mim
e não faz outra coisa
a não ser chamar teu nome.
Quando distante,
verte lágrimas de sangue
por sentir tamanha saudade.
Leva-o consigo!
Aqui, sozinho, ele fenece
por tanto amar o seu.


Solange Bretas

CHAVE MESTRA




Acorrentada ao destino
De mãos atadas, deixo pegadas ...
Que talvez o vento apague.

Ouço  arrastarem-se as correntes
Com elas meus dias  e noites sem sobrestar.
Assim, mais uma vez, um dia de cada vez.

O desejo de ir além me faz romper barreiras.

Vou em busca da chave mestra.



Solange Bretas

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Você Me Conquistou



Você chegou,
assim como quem nada quer .
Veio deixando pegadas
com jeito sossegado
meio de madrugada.
Foi preparando seu cantinho
aconchegando-se com carinho
feito um anjo de mansinho
conquistando minha afeição.
Encontrou-me meio chorona
enxugou a meu pranto,
amenisando minha dor.
És um anjo encantador
faz meu coração sorrir
minha alma livre sentir
das tristezas que passou.
Acredito ser obra do Divino
conhecer-te assim tão menino
levado porém afetuoso
no coração serás guardado.
Por toda vida por mim amado. 


Solange Bretas

Gravado No Coração



Olhei-te nos olhos,
senti seu brilho refletir nos meus.
Momento de pura magia.

Contemplei teu sorriso
selando lábios meus
Não se conteve em mim a emoção.

De amor transbordou minha alma.

O que recebi de tuas mãos está gravado no coração.


Solange Bretas

No Balanço Desse Amor




No balanço desse amor
Lanço-me  de asas abertas
Embalando-me nesse vai e vem de sonhos.

Quisera fosse eterno esse encanto
E nos jardins das delícias ter a brisa como manto
Sentir do seu amor  o impulso nesse balanço.

O seu balanço toma meu corpo.

E conduz minh'alma  com liberdade.



Solange Bretas

Lençóis de Poesia



Logo que deslizei pelos sinuosos caminhos da poesia
E o lirismo despetalou minha alma em versos simples,
Não consigo conter as sementes que desde então são vertidas
De minhas pobres e ousadas rimas semeadas nas entrelinhas.

O deus da poesia terá enlouquecido ao permitir-me tal ousadia
E põe em meio a um grande desafio, as letras dessa minha alma

De certo que mesmo que tentasse e abusasse de todos os vocábulos
Descrever-te seria impossível, falta
r-me-iam linhas a deitar grafias.

Seu refúgio são lençóis de marés que do céu deságuam o azul
Em aquarelas cintilantes, arco-íris colorem a paisagem ao seu caminhar
Seu versejar faz as flores exalarem num suspiro, o mais doce perfume
E as estrelas se derreterem no céu, por suas poesias de amor,.
 

Por ribeirinhos poéticos seus encantos fluem regando jardins
Seu olhar é farol a guiar minha embarcação perdida em alto mar
Seus braços são portos seguros do meu pobre versejar
Nem as  fortes tempestades conseguem pra longe de ti me levar.

Tomo posse dessa loucura que veio  em meu ser habitar

Mesmo que me sinta por muitas vezes nesse mar  naufragar
Ergo minhas velas, recolho as âncoras e me ponho a navegar
Na liberdade dessas ondas que me  fazem por amor poetar.

Solange Bretas

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Ousadia De Um Anjo




Sou anjo que criou asas.
Vestiu do céu o azul
E do sol sentiu o calor.

Sou anjo de caminhos errantes
Buscando guarida em altares
Recebendo de oferendas milagres

Sou Anjo em liberdade...

...Que ousa ser Mulher.

Poema



Tu és poema!
Tens necessidades de palavras,
Seus versos destemidos
Movem céus e terras.
Tomas posse d’alma,
Essa é a tua razão.
O vento não te leva,
És flecha no coração.

Tu és poema!
De amor, de solidão.
És abstrato sentimento
Loucura em pensamento
És gozo, és tormento.
Ler-te é deleite que extasia.
No corpo o desejo que inspira
És grafia da alma,
És  essência que inebria.

Tu és poema!
Que penetras olho a dentro,
Arrancas do coração
Um querer, um lamento,
É ungüento para as feridas.
Nas entrelinhas tu vertes
Carícias em profusão.
És segredos em desterro
Fora do coração.

Tu és poema!
Que sangra,
Parindo nas entrelinhas
Desejos e prazeres,
Seduzindo estrelas
Minguando luas
Derretendo horizontes.
Fazendo parte de mim
Me chame de poesia.



Solange Bretas

Versos Mudos


 









Abri mão do meu eu poeta.
Ele voou sem olhar pra trás...
Bateu suas líricas asas no infinito.
Seus versos eram sonhos
Suas linhas eram devaneios
Ao ler sentimentos.
A tinta foi borrada,
Rasgaram-se as pautas
Jogadas ao vento
Qual folha caída ao chão.
Secou do verso a fonte
dos líricos oásis,
Que transbordaram em vão.
Despi minh’alma
Espalhei as pétalas
livrei-me dos espinhos.
Nesse vagar poético
agora sem as asas
Permanece a quietude.


Solange Bretas

Leve-me



Me conduza por entre cometas,
leve-me ao céu de estrelas trêmulas.
Sou lua rasgando o véu.

Desenho a noite feito cinzel,
grafitando sentimentos loucos
na sofreguice dos desejos sul.

Leve-me a morrer no mar.

O oceano verterá em nós ondas de prazer.


Solange Bretas

Reflexos





Águas se movem em sintonia
são ondulantes ecos de si mesmas
se lançam e se lançam destemidas.


São reflexos emanando energias
evaporadas pelo afago do sol
aspergidas beijam a face nua.


Goteja  noite a dentro orvalhando desejos.


Amanhece nos braços do mar.


Solange Bretas

Açoites de Solidão


Sofro os açoites da solidão
que o destino cruel
pronunciou ao vento.
O tempo algoz dos meus dias
não deixa meu corpo em descanso
provocando uma eterna agonia.
Sinto uma saudade absurda
que me consome qual vela acesa.
As lembranças não me bastam
por que vivê-las foi mais que vida.
Os açoites arrancam de meus olhos
gritos de misericórdia,
e da voz de minha alma tão sozinha
se desprende um fragil sussurro por teu amor.

Solange Bretas

Extase




Explosão de pleno gozo.
Seus tentáculos obcenos
agaram minha pele nua.

Enquanto suas lavas encandecentes
envolve-me num arder em chamas
sua imagem abstrata penetra minha alma .

Mistura seus odores a minha essência.

No calor de teu fogo me derreto.




*sou apaixonada pela arte abstrata. É algo que me toma quase que em transe...viajo!

sábado, 14 de novembro de 2009

Profecia


Logo nascerá o sol
e tudo será claro demais
para que somente os olhos vejam.
Lá nos confins do horizonte
palavras romperão os ecos do silêncio,
o breu que venda meus olhos
será desvendado.
Um mar levará toda a angústia
que interroga minha alma.
Um dia, teus olhos não encontrarão
minha esperança adormecida.
Ela alçará vôo,
e irá de encontro a luz,
saberás ao cair da tarde
quando minha essência
impregnar seu derredor...
Uma vela será acesa,
uma brisa soprará as pétalas
para longe dos jardins
e a noite tu já terás esquecido.

Porvir



Sentimentos...
Serão sementes desprendidas
pelo caminhar do vento...
Tudo novo se fará
num girar de um cata-vento
ao despetalar dos girassóis
inclinados para a terra
onde fixaram seu pés.
Não mais falarão as flores,
nem cantarão os pássaros
em seus altos ninhos
antes do porvir.
Logo virá a chuva...
Regará os canteiros,
em vão não serão as cores
que tingem o arco íris...
De esperança se cobrirá
os campos pulsando vida
e tudo estará para a colheita
enquanto  existir um sentimento...
Solange Bretas

Espada do Silêncio



O silêncio,
corta raso e fere fundo,
espremendo os versos
contra parede
envolta em negro véu.
Sangra o poema sem piedade
a alma se desprende
em silente agonia,
seu sangue mancha
a poesia, escorre
nas entrelinhas
borrando as mãos
do poeta que,
em fúnebre tom,
declara a morte
de sua a poesia.

Águas Silenciosas












Sem soluços,
molham os passos
apagam pegadas.
Inundam a alma
que, silenciosamente,
transbordam emoções.
Faz sentir um misto
de saudade e tristeza
ao misturar-se ao mar
de lembranças tuas.
Serpenteiam por labirintos
que provaram afagos,
cuja alegria morou
e se fez de partida.
Águas silenciosas
brotam  no peito
onde mora a solidão.
Solange Bretas

Inverno Poético




Abri mão do meu eu poeta.
Ele voou sem olhar pra trás...
Bateu suas líricas asas no infinito.
Seus versos eram espinhos
Suas linhas eram amargas
Ao ler sentimentos.
A tinta foi borrada,
Rasgaram-se as pautas
Jogadas ao vento
Qual folha sem vida.
Secou no deserto a fonte
abandonado oásis,
Que transbordar em vão.
Despi minh’alma
Arranquei as pétalas
firiu-me os espinhos.
Nesse vazio poético
Faz frio, agora sem as asas
Do meu Anjo, eu Poeta.

Pobre Coração


Ah, coração!
Se eu pudesse arrancá-lo do peito
Transformá-lo em vendaval
A mover mares e terras,
Desprendendo folhas secas,
Cobrir meus sonhos e
Meus passos minha visão.

Ah, coração!
Se eu pudesse na vida ser
De meu bem a alegria e ouvi-lo
Assim dizer: “E você me faz feliz.”
Calçaria de pétalas seu caminhar,
Adoçaria seus lábios com meu beijar
Dos meus olhos faria o farol
Pra seus sonhos iluminar.

Ah, coração!
Se eu pudesse ecoar
Desse peito o grito de amar
Sussurraria ao meu amado
Que o fruto semeado,
Perece entre estações e emoções
Pendendo qual gota de orvalho.


Ah, coração!
Se eu pudesse aguentar
Esse nó a sufocar minha voz
Cada vez que ao sentir
Nas rochas que a solidão te lança
Esse amor sem medidas s esvair-se de ti...
A ter cuidado para não se machucar
E nunca desejar viver só de lembranças.

Ah, coração!
Se eu pudesse te ensinar
Talvez te ensinasse a amar
Como em conto de fadas,
E na liberdade amar sem limites
Talvez como um sonho que nunca termina.
Assim te deixaria entre meus braços, guardado
E tu coração, não seria um livro no criado mudo
Esquecido e fechado nas noites de insônia e solidão.
Solange Bretas

Poesia Nua


Cai o véu,
transfigura-se a face!
Longe de mim ser poeta,
deslumbrada pelos versos
sem donos e errantes.
Sou apenas amante
das letras que encantam
esses meus olhos de jadi.
Nada além do verter poético,
que pulsa nesse coração sincero,
nascerá sangrando as grafias em prosa,
o que tornará minha alma pura
e liberta dessas margens nuas,
onde as pautas do passado
formaram frases ditas em amargura.
Cai o véu da face Lua
Novo céu, nova fase
poesia nua!
Solange Bretas

domingo, 8 de novembro de 2009

Espinhos




Meus pensamentos
Não me pertencem mais.
Não fiz nada além
De sentir amor
Trocastes o amor real
Por palavras.
Como cristal partido
Meu coração em pedaços.
Não sei mais o que sentir,
A esperança escorreu
Pela face e o olhar
Tingiu de cinza
O horizonte.
Os pássaros voaram,
As pétalas caíram
Ficaram os espinhos e eu.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Madrugando


O silêncio e eu...
nas vidraças ainda embaçadas,
percebo o breu que se instala na madrugada.
Somos sós, ela a me olhar
com seus olhos negros
e eu a fingir clarão em meus olhos
qual lembranças em flash.
Fixo-me pela esperança
a me agasalhar através
do que seu silêncio me diz...
São ecos da natureza
aos meus surdos pensamentos,
Somente fixo-me madrugando
nesse horizonte escuro,
onde percebo estar só!

Palavras Somente


De tanto falar-te
perdi a voz, a vez.
Nem consigo contar
o quanto minha voz
presente se fez...
Falei-te dos meus ais,
dos meus medos,
contei-te segredos,
abri minh'alma sofrida.
Falei-te do amor,
do querer sem fim.
Falei-te com palavras,
com olhares, com gestos
de corpo e de alma,
mas pareceu-me
vã a tentativa de ganhar-te
o coração.
Tudo agora é sentimento,
num envólucro de silêncio
que prefiro não mais dizer-te.

Palavras no Silêncio


Busco em meu silêncio um alento,
do teu silêncio meu sofrimento.
Palavras ao vento esvaiem-se.

No silêncio tudo falará mais alto,
solidão, saudade, esperança e a mágoa
me serão surdas companheiras.

Em vão semeei sentimentos...

Meus gestos no silêncio desprezados.

Um Antídoto Para Meus versos


Veneno que percorre a veia do poeta,
fazendo sangrar em versos intensos.
Cegando seus sentimentos,
provocando dores em entrelinhas.
Gotejando lagrimas em seu lirismo,
no obscuro silêncio de seus poemas.
Roga ao deus dos poetas um alento,
um antídoto a verter versos de alegria,
pondo fim de seu tormento.
Que seja feliz em sua poesia.

Abandono


Na liberdade dessa manhã,
me entrego ao abandono.
Deixei-me assim por você!

Minha esperança palpita,
o sol lá fora nem brilha,
o tempo é algoz de nós.

Abandonando-me em você

Nas lembranças do que fomos.

Pequena Janela



Através de uma pequena janela
te vejo passear por jardins
colhendo flores, regando sorrisos.

Quantas vezes para ti acenei
com lenços coloridos te chamei
você passou e fingiu não ver .

Dos olhos correu uma lágrima esquecida.

No coração, sofre um amor de saudade.

Lençóis


Testemunha de um grande amor,
cobriu a nudez que transcendeu o leito
e em sua brancura tatuamos o prazer.

Sob ele misturávamos os sabores
em momentos de pleno êxtase
segregava de nós o mundo.


Hoje se faz de saudades

amassado está aos pés da cama.

Retalhos De Nós


.... Assim os pedaços
se encaixam sem arremates,
de cores mil, nuances e degradês.
De cores frias que se deparam
com as quentes dos lisos ou estampados.
Soltam fiapos, mesmo de formas assimétricas,
se encaixam perfeitamente.
Um artesão, encontra sempre
um lugar exato para cada retalho
e essa percepção lhe rende bom artesanato.
Na arte de amar, somos pedaços, somos retalhos.
Ninguém nasce completo ou perfeito
somos diferentes de tudo e de todos.
O amor é age como o artesão,
o destino é o seu instrumento.
Ele usa para unir nossos pedaços
e nos alinhava com o tempo.
Não há que se desprezar a linha do tempo,
pois ela pode se desgastar e desunir os retalhos.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Nesta Estrada


Nesta estrada muitos passos foram dados
deixamos muitas pegadas,
sentimentos, como pistas, marcaram nosso andar.


No caminho houveram paradas,
fizemos histórias que não serão esquecidas
plantamos sementes de amor.


A estrada continua no horizonte da visão.


O alvorecer se fará arrebol sobre nós.

Solange Bretas


"Não tenho um caminho novo. O que eu tenho é um jeito novo de caminhar. ..."

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Vento Impetuoso


De mãos estendidas ao vento
a essência evaporou levando as linhas.
Transcendeu, perpassou céus e mares.

Levando minha essência mostrou-a as rosas,
"As rosas não falam, simplesmente as rosas exalam...",
Mas tu, que és impetuoso vento, vais...

Espalhando o que de mim roubastes.

Escrevendo nas entrelinhas de minhas mãos.
Solange Bretas




_"As rosas não falam, simplesmente as rosas exalam..." (Cartola)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Ontem


Ontem, vivido com toda magnitude
Ocasiões que tínhamos que viver
Cada segundo foi crucial cogente
Aos sentidos subentendido sorrisos

O ontem repleto de emoções
Na chegada suspiros fervorosos
Intenções havia e foram entendidas
Bastou o momento houve ação

Ontem com olhos de esperança
Desejos foram plenos intensos
Nossos corpos foram alvo
Atingidos pelo ardor da paixão

Ontem igualmente de imprevistos
Medos que não se continham
Turvando o a visão do querer
Mas em fim o amor sempre vence.

Nosso Ninho


No seu coração fiz meu ninho
me aconcheguei adormeci
cada sonho neste ninho
faz meu amor acender

Até sei porquê isto está a acontecer
em Setembro Ype amarelo floresce
cai as folhas evidencia-se os gallhinhos
secos entre flores os gravetinhos

Não são meros sonhos sonhados
Nada é mais real que cada um deles
Te sinto forte, quente, perto latente
Cada abraço nesse ninho me faz tremer

Ninhos moldados leito do amor
sob minhas asas muito calor
bate frágil coraçãozinho
duras penas no pé as argolas

O que emana de nós, não pode ser sonhado
É palpável, trás desejos ardentes por amar
Nosso ninho, nosso cio exala perfume de flor
Não de palhas, ele é feito de abraços e carinhos

Isto agora nem precisava para eu falar
sei até onde o sonho poderia alcançar
redundância nosso ninho, perfuma a flor
na palha carícias esquenta o nosso amor

Quero nesse ninho a ti me aprisionar
Dele nunca mais sair é o meu querer
Pra minha sede terei seus doces beijos
Meu alimento será teu corpo tua essência

Nem vai precisar nisso pensar
do teu amor já estou cativo
dos meus beijos poderá se saciar
fazendo-me da vida o motivo

É nesse ninho que quero morrer
Se dele um dia me tirarem você
Seremos Anjos no mesmo jardim
Estrelas brilhantes no infinito céu.

Neste ninho não é hora de em passagem falar.
Como agora dissestes . Anjos não morrem
Pelos céus viajar.Árvores folhagens paragem
e sob o mesmo céu e estrelas iremos nos abrigar.

Solange Bretas com a participação do poeta Rs T..

Desejo Outra Vez


Tira-me o sono
Faz-me mergulhar num mundo de lembranças.
Seus doces beijos, carícias suaves
Ouço seu sussurrar em meu ouvido.. ”Te quero!”
Arrepia a alma meus e olhos marejados te procuram.
Minhas mãos te buscam por entre os lençóis.
Seus mimos... Sinto-te neles presente.
Sonho acordada...
Enroscada em seu pescoço, sentindo seu cheiro
Abro um sorriso, lembro seu rostinho de menino
Como na primeira vez, sempre com você, assim se faz
Espumas... Flor de Lótus e Ervas sensação relaxante
Suspiros... Suspiros extasiantes de desejo
Suas mãos acolhem o meu corpo direcionando-me ao seu
Faz com que as estrela sejam tocadas e a lua se torna pequena
Sinto a fragrância como se estivesse ainda nos seus braços.
Viajei em seu mundo, mergulhei em ti quase profundo
O destino é mesmo de linhas e todas tortas...
E a vida tem um doce ardor e o frescor de menta...
O desejo arde e com ele a agonia de não te ter...
O sono vem, mas é certo que ao despertar te deseje outra vez...
Solange Bretas

Nos Raios Do Luar


Encantei-me com tua poesia
Mergulhei em sonhos
Vesti-me de fantasia
Em melodias poéticas
Banha-se meu entardecer
Antes ao longo do dia
Alimentava-me de suas líricas letras
De suas mãos deitam-se as palavras
Em branco papel como lençol
Grafites delineando formas e curvas
Ondulantes sonoras saem de seu coração
Rabiscos escritos que chamam minha atenção
Prende meu olhar, verdes de esperança
Penetra atinge coração feito flecha
Assim como raio de luar
Ilumina a noite teu poetar enamora-me
Encantos docemente sorvidos
Ao te ler, posso até tocar-te
Embriaga a alma, faz suspiros brotar
Sou suscetível, ao amar que propõe seu versejar
Louca serei eu de negar,
Em suas linhas é onde gosto de ficar
Se for pouco meu conhecer, esse pouco me basta
Se em tuas linhas eu puder me encontrar
Nunca me engano ao clarão do luar que inebria
Reflexo de sua poesia me faz em loba transformar
Escrever como a ti gostaria,
Se eu pedisse você me ensinaria?
Seria eu sua lua e meus raios seu iluminar
Criador e criatura a inspirar
Superar seu versejar só se for pra em ti brilhar
Fora de ti saberei eu grafar?
Sou criança adoro de poeta brincar
Ensina-me que eu te ensinarei
A criatividade assim usar
Meu tempo menina passará
Mas será mais doce com seu belo rabiscar
Nem tudo aqui poesia, ler as entrelinhas terá
Na realidade me faço menina luar
Lanço meus raios em seu rabiscar
Quem sabe assim ganho de ti inspirar
Terei sonhos e fantasias realizadas, será?
Desculpe a falta de jeito,
Mas não houve outro meio de me declarar
Você meu Anjo poeta, minha alma te guardará
Adoro e amo seu Rabiscar.
Solange Bretas

Matar a Saudade



Do que é feita a saudade?
A que sabor se comparará
O seu paladar insosso?
Ou será como água de poço,
Quanto mais se mata ela há de brotar.
Pode ser que dela a cura há de surgir,
Quem sabe se o amor não partir.
Dos beijos existirem aos milhares,
Dos abraços minh’alma não escape
Ou quem sabe do meu coração
O amor se aposse e venha morar?
Cativo lar irá tornar
Será da lembrança a saudade nutrida,
Se ligados coração e mente
Jamais esquecido o amor será.
Quisera não precisar da saudade,
Preferiria tê-lo constante
Ainda que na mente vivo e latente
No coração será sempre pulsante.
Esse amor, que escorre pela veia
Como ar em meus pulmões
Então será saudade certeza
De que mesmo invisível aos olhos
Habita em meu íntimo meu amor
De esperança se trata os suspiros sentidos
Ameniza a saudade que maltrata
Espero no portão, vestida de festa
O amor a chegar com flores e brilho no olhar.
Beijos doces a presentear, abraços apertados a enlaçar
Em nosso ninho a saudade matar.
Solange Bretas

Locomotiva



Sua curta estrada sem intento
Sobre trilhos largos dormentes
Vaga o vagão passagem passageira
Ferro retorcido pó ferrugem.
Perece parece sem dono
Maria-Fumaça, não pita
Sem fogo nem cinzas
Que caminho iluminava olhos no breu.
Encruzilhado destino desalinho derradeiro
Descarrilou não serve mais
Ao desuso confinada estais.
Saqueados os bens suas virtudes
Vazia esquecida carruagem
Abandonada a mercê das estações.
De abrigo serve aos marginais
Aproveitam-se dos restos ao léu
Sinistro seu interior sombrio
Que de ervas amargas se encobriu
Esconde o que de bom já rendeu
O resto de valor pra sempre partiu.
No carril que se perde de vista
De que vale tê-los ainda
Se nem de pé nos trilhos está
Tempo passa ninguém fica.
Da covardia do tombador que a guiava
Locomotiva acometida de avaria
Tornou-se acomodação obsoleta
Seus vapores se foram Maria.
Nem fuligem suja a chaminé
Foi esquecida perdeu o valor
Descarrilou e sem serventia ficou
Ao prazer do tempo e vento
Seus restos ninguém reclamou.
A fuligem no ar dissipou
Quem saberá maquinista desertor
De abandono serviu sua Maria
Mãos, sujas pelo carvão, lavou
À fornalha, o fogo e lenha, negou
E a densa nuvem de fumaça abafou
Nem apitas Maria sua chegada
Se nem de partida seu agora se faz
Ao menos de abrigo nesse trilho jaz
Só quem sabe é o tempo que de ti se apraz...
Solange Bretas

Tão Distante


Sentir sua tristeza
é algo que me destrói.
Causa me a dor da impotência.
Dentro do peito o coração bate aflito
por tanto querer e não poder.
Talvez, se em minha alma
não existisse a força da esperança,
hoje, eu seria alguém que pereceu
com a tristeza de ter as mãos vazias,
o olhar no horizonte
e, no pensamento, você tão distante.
Pior que viver sem saber o que fazer,
por ter amarrado-me as mãos o destino,
é viver a agonia de não poder te sentir feliz.