sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Vazio


Vazio

Quando pensei estar liberta,
Vi-me cativa de um horizonte
Onde o sol brilha como se eu não existisse
do outro lado da janela.
Quando pensei estar longe,
Encontrei-me presa na lembrança,
Com saudades do que descobri vivendo o risco.
Quando pensei que minhas mãos eram fortes,
Não consegui abri-las para colher meus sonhos
Senti-me vencida pelo medo de viver a sorte.
Quando pensei em trilhar novos caminhos
Caí na sarjeta que cobriu-me de desânimo
entorpecendo meu sentidos, calando-me as palavras.
Quando me joguei num mergulho profundo
A fim de afogar as mágoas do meu coração,
O mar me rejeitou lançando-me sobre as rochas
Do pensamento fazendo-me remoer tristezas.
Quando quis sorrir e assim iluminar meu olhar
Veio a tempestade ignorando-me feito folha seca
Escurecendo meus olhos, negando-me a luz.
Quando tentei dormir para que tudo passasse
Sem que vivesse a desilusão e a amargura,
Fez-me companhia a fria solidão
Que, com seu vazio, assombrou minha alma.
Quando pensei esquecer a história da vida,
Virar a página do destino e romper
Com os desejos do coração,
Veio o desespero por querer pertencer
Mais e mais ao que não posso ter ou ser.
Então, pensei chorar, mas me percebi inútil,
Envolta em sombras de sonhos perdidos,
Sem lágrimas, sem ombro sem chão.
Solange Bretas

2 comentários:

Vento disse...

A sensibilidade de cada frase arrepiou os meus sentidos, há tanto de ti, aqui...

Beijo

garoto cientista disse...

Olá querida poetisa, parabéns pelo poema. Tenha uma ótima semana.