terça-feira, 19 de maio de 2009

Ensandecidas Linhas Em Traços E Riscos




O que eu faço com aquele traço
Feito do lado esquerdo a pulsar pontilhado?
Hora bate, dobra apanha faz manha.
Cansado mimado, embebido de poesia
Sussurra voz de trovão sôfrego, manhoso.
Cantando como brisa na janela da alma
Relampejando no céu da boca, louco varrido.

O que eu faço com esse risco que gosto de correr
Nas entrelinhas estranhas de imagens abstratas?
No peito, no leito, no final a margem da estrada,
Ao crepuscular prateado só pra te encontrar
Destemida, bandida perdida, inocente liberta.
Farei dele asas, me lançarei no abismo do tempo
Num mergulho livre nos braços do vento.

E essas linhas minadas, mal traçadas, sem trilhos.
Suas mensagens escondidas sublinhadas a olho nu,
Escritas na água, levadas ao sal pelo doce navegar.
Essas ensandecidas linhas são devaneios ao pensar,
Confusas, concisas nem a mim cabe decifrar
As coloco pra fora como notas sonoras soltas sem pautar.
Solange Bretas

2 comentários:

jeronimo disse...

Adorei te visitar!
Muito obrigado pelo convite!
Bj!

Rabe disse...

Revisitando teus versos, vendo tuas imagens! Belo de ver, belo de ler, belo de... Ouvir! Aqui agora é tarde, já quase outono, o sol já mudou de rumo, outros pássaros se achegam, outras sementes pousam, outras flores brilham, outros fortes ventos desfolham as antigas árvores e o mundo todo já não é o mesmo...